Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta
A pergunta que hoje nos fazemos é esta: o
Ano Jubilar nos ajudou a sermos “misericordiosos como o Pai”? O que
conseguimos aprender,para sermos mais humanos, mais cristãos, mais
fraternos? Quantas reflexões, escritos, retiros, palestras, grupos de
reflexão, tríduos, novenas, estudos bíblicos, teológicos e pastorais
sobre o tema da misericórdia! O mais importante foi ter nos mostrado a
misericórdia como um tema central da fé cristã. Olhamos para Jesus
Cristo, o rosto da misericórdia do Pai, e vimos que viveu movido pela
misericórdia. Ao contemplar o agir de Deus, revelou-se que “o nome de
Deus é misericórdia” (Francisco). “Pela bondade e compaixão de nosso
Deus” (Lc 1, 78), qual Bom Samaritano, se inclina sobre a humanidade e
envia seu Filho para nos salvar (cf.Jo 3,16).A misericórdia é a síntese
de quanto Deus oferece ao mundo, porque nada de maior o coração humano
pode desejar.Assim, olhamos para nós mesmos e percebemos que, como em
Maria, um olhar de bondade e acolhida pousou sobre nós, necessitados de
misericórdia. Ofereceu-se oportunidade de obter as indulgências através
das portas santas. Aprofundou-se o sentido do sacramento da
reconciliação e a importância do perdão. Redescobriu-se o valor das
obras de misericórdia, não somente pelas ações concretas que elas pedem,
mas pelo seu caráter pedagógico, ao nos educar para sairmos de nós
mesmos, de nosso pequeno mundo, para ver, deixar-se afetar, ter
compaixão e agir diante das inúmeras realidades de sofrimento humano.
Isto tudo por causa de nossa fé em Jesus Cristo, que se identifica com
os sofredores. Estendemos nosso olhar de misericórdia além de nós
mesmos, para a família, a comunidade de fé e para as chagas da realidade
social. Com o Bom Samaritano, vimos que a misericórdia não se reduz a
sentimentos, mas move a ações concretas em favor daquele “ferido à beira
do caminho” (Lc 10,30). Confirmamos, mais uma vez, que a fé que não se
traduz em caridade operosa, não é cristã.
Permanece o desafio de construirmos
“caminhos para tornar pastoral a misericórdia” (Francisco). Isto é, que
ela esteja presente como um “estilo de vida”, bem como com projetos
pastorais que vão ao encontro de quem precisa para oferecer “o bálsamo
da misericórdia.” Neste sentido, o Ano Jubilar conclui-se, mas “a porta
da misericórdia” deve permanecer sempre aberta. Temos certeza que a
proposta da misericórdia humaniza, aproxima as pessoas, cria espaço para
relações fraternas. Ainda precisamos superar a lógica do mérito, para
motivar as ações a partir da gratuidade. Temos um longo caminho a
percorrer, primeiro deixando-nos continuamente renovar pela misericórdia
e, então, ir ao encontro das pessoas e oferecer a todos a bondade e a
ternura de Deus. Podemos nos perguntar: que herança levo e o que aprendi
com o Ano Jubilar da Misericórdia?
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